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Federação continental garante Copa Africana no Marrocos, palco de protestos contra governo

07/10/2025 00:12 O Globo - Rio/Política RJ

O presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe, disse nesta segunda-feira que está "absolutamente confiante" que a Copa das Nações Africanas de 2025 acontecerá no Marrocos, palco de protestos diários contra o governo há mais de uma semana. Jovens marroquinos foram às ruas no domingo para a nona noite consecutiva de manifestações, pedindo o fim da corrupção e uma mudança de governo.
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Os manifestantes exigiram reformas nos serviços sociais, especialmente saúde e educação, e expressaram indignação pela desigualdade social. O Marrocos está programado para sediar a Copa das Nações (AFCON) de 21 de dezembro a 18 de janeiro em nove locais, com 24 seleções nacionais competindo na principal competição do futebol africano.
Estrelas como o atacante do Egito e do Liverpool, Mohamed Salah, e o lateral do Marrocos e do Paris Saint-Germain, Achraf Hakimi, estão entre os jogadores que devem participar do torneio. Falando durante uma reunião anual de dirigentes do futebol africano em Kinshasa, na República Democrática do Congo, Motsepe defendeu a manutenção da escolha.
"Nós [CAF] estamos absolutamente confiantes de que a AFCON ocorrerá conforme o planejado. Marrocos é o plano A, Marrocos é o plano B e Marrocos é o plano C", disse ele ao público, incluindo o presidente da Fifa, Gianni Infantino. "A CAF cooperará e trabalhará com o governo e todos os cidadãos do Marrocos para sediar a AFCON mais bem-sucedida da história", disse Motsepe, um empresário bilionário sul-africano.
Manifestantes no Marrocos exigem reformas nos serviços sociais, especialmente saúde e educação, e expressaram indignação pela desigualdade social
Abdel Majid Bziouat/AFP
Marrocos sediou a AFCON de 1988 — então um torneio de oito nações — e desistiu de sediar a versão de 2015 alegando temores sobre o vírus Ebola.
Liga Africana de Futebol é 'importante'
Motsepe disse que a CAF esperava reviver a Liga Africana de Futebol (disputada entre clubes), que foi lançada em meio a muito entusiasmo e só foi descontinuada em 2023 após uma edição radicalmente alterada. Em vez de 24 participantes, jogando um mínimo de 14 partidas cada, e um prêmio recorde em dinheiro para uma competição de clubes africana, o Mamelodi Sundowns da África do Sul venceu um torneio simplificado de oito equipes.
"Há discussões em andamento. Estamos muito felizes com o progresso alcançado. A Liga Africana de Futebol é muito importante e continuará", disse Motsepe, sem dar detalhes.
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Motsepe herdou uma CAF profundamente endividada quando substituiu Ahmed Ahmed em 2021, depois que a Fifa baniu o malgaxe por violar códigos relacionados à lealdade, abuso de posição e apropriação indébita de fundos. Ele rapidamente melhorou a situação e um lucro líquido de US$ 9,48 milhões para o ano fiscal de 2023-24 foi anunciado em Kinshasa. A CAF prevê um superávit de US$ 28,45 milhões no próximo ano.
"Tivemos um enorme sucesso nos últimos cinco anos. As receitas quadruplicaram. Tolerância zero a suborno e corrupção é importante. Todo o dinheiro vai para o desenvolvimento do futebol", disse o presidente. "O que as federações-membro recebem dobrou. Queremos pagar mais aos jogadores e ajudar nossas seleções. O futebol precisa se desenvolver e crescer na África. Damos US$ 100.000 a cada clube que não se classificar para a fase de grupos da Liga dos Campeões da CAF e da Copa das Confederações da CAF. Não é suficiente, mas ajuda com transporte e outras coisas."

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