Ao receber comenda do TRE-SP, Tarcísio elogia Justiça Eleitoral: ‘Garante a vontade popular’
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez elogios públicos ao processo eleitoral brasileiro nesta segunda-feira, 6, ao receber uma comenda do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Em uma postura que destoa do seu principal padrinho político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o político disse que o órgão realiza um trabalho exemplar em todo o Brasil.
— É preciso fazer uma reflexão sobre o trabalho da justiça eleitoral: um trabalho amoroso, profissional, de planejamento meticuloso, que envolve treinamento e logística para levar as urnas a cada canto do nosso estado e garantir que em todos os locais a eleição ocorra com tranquilidade — declarou ele.
Ele comparou a homenagem a uma “nota promissória”, porque os agraciados devem seguir apoiando e fazendo por merecer no futuro. Comparou ainda a eleição a um cargo público como uma corrida de revezamento, em que “a gente recebe o bastão, corre o melhor que pode e passa o bastão para alguém lá na frente, numa situação, espero, melhor do que a gente recebeu”.
— Assumimos o compromisso aqui com a Justiça Eleitoral de fazer com que o trabalho dela continue sendo um grande sucesso, garantindo aquilo que é mais importante, o império da vontade popular — completou Tarcísio, que associou o direito ao voto à “garantia da representatividade, da segurança jurídica e da promoção da justiça social”.
O desembargador Silmar Fernandes, presidente do TRE-SP, lembrou que o Colar do Mérito Eleitoral Paulista é a mais alta honraria concedida pelo órgão desde 1999, apenas em anos em que não ocorrem eleições. A Justiça Eleitoral foi celebrada por ele como “uma das mais confiáveis instituições do Estado Democrático de Direito, graças a mulheres e homens que, como os que hoje homenageamos, dedicaram tempo, inteligência e espírito público à consolidação de um sistema eleitoral seguro, transparente e inclusivo”.
— Neste estado, os poderes são independentes e harmônicos — disse ele após a fala do chefe do Executivo paulista.
Discurso destoa de padrinho
Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista que conspirou para evitar de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), legitimamente eleitos nas urnas. Uma minuta de golpe de estado foi apresentada em reuniões, de acordo com o Ministério Público Federal, e o ex-presidente ainda tentou angariar apoio dos comandantes das Forças Armadas para o plano. Em outra frente, “kids pretos” do Exército prepararam o assassinato da dupla e do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em diversos eventos públicos, incluindo atos convocados por Bolsonaro e pelo pastor Silas Malafaia em Copacabana, no Rio, e na Avenida Paulista, em São Paulo, o governador de São Paulo se queixou do julgamento, alegando que era necessário livrar Bolsonaro e promulgar uma anistia no Congresso para “pacificar o país”.
Já o tema das urnas eletrônicas virou tabu para o governador por conta de Bolsonaro e seus apoiadores, que aderem a teorias conspiratórias sobre o sistema eletrônico de votação. No ano passado, em um podcast ao lado de Bolsonaro, precisou recuar de elogios feitos à Justiça Eleitoral e que não pegaram bem no campo político. Se por um lado achava interessante o “esforço logístico” do órgão, por outro “isso não quer dizer” que as urnas não possam ter os procedimentos de segurança revistos.
Demais homenageados
O TRE-SP entregou a mesma comenda aos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Paulo Dias de Moura Ribeiro, ao desembargador aposentado do TRE-SP Luís Paulo Cotrim Guimarães, aos juízes de direito Maria Cláudia Bedotti e Regis de Castilho Barbosa Filho, e aos juristas Rogério Luis Adolfo Cury e Claudio José Langroiva Pereira.
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