Chanceler alemão pede que UE adie prazo para encerrar vendas de veículos a combustão: 'Proibição errada'
O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse nesta segunda-feira que quer a União Europeia (UE) descarte o prazo planejado de 2035 para encerrar as vendas de novos veículos com motor de combustão, enquanto seu país busca maneiras de ajudar sua indústria automobilística em dificuldades. Os gigantes do setor principal da Alemanha, como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz, lançaram dúvidas sobre a meta da UE enquanto lutam para construir negócios competitivos de veículos elétricos contra rivais chineses como a BYD.
Leia mais: mercado de carro elétrico no país tem potencial de movimentar R$ 200 bi por ano a partir de 2030
Concorrência: com concorrência chinesa, vendas de elétricos da Tesla caem 13,5% no segundo trimestre
Antes de uma reunião a ser realizada na quinta-feira com representantes do setor automotivo, Merz disse ao canal NTV que achava que a proibição da UE estava "errada". No mês passado, a UE prometeu acelerar a revisão da meta de 2035 após pressão das montadoras.
"Não quero que a Alemanha seja um dos países que apoiam essa proibição errada", disse Merz.
No entanto, ele admitiu que a questão "ainda estava sendo discutida" com seus parceiros de coalizão, os sociais-democratas de centro-esquerda (SPD). O ministro do Meio Ambiente do SPD, Carsten Schneider, "ainda não estava convencido" sobre a necessidade de abandonar a meta, disse Merz, mas acrescentou que esperava que o governo chegasse a uma posição consensual antes da reunião do setor automotivo desta quinta-feira.
A indústria automobilística na maior economia da Europa foi prejudicada pela forte concorrência no principal mercado, a China, pela fraca demanda e por uma mudança mais lenta do que o esperado para veículos elétricos.
No início deste mês, a fabricante de carros esportivos Porsche, uma subsidiária da VW, disse que atrasaria substancialmente o lançamento de seus veículos elétricos devido à fraca demanda. Merz destacou que os motores a diesel ainda são necessários para a fabricação de caminhões e que seria um "erro grave" se a Alemanha não conseguisse conduzir pesquisas nessa área.
Merz também expressou esperança de que combustíveis sintéticos possam ser desenvolvidos nos próximos anos, o que permitiria que motores de combustão funcionassem "de maneira ecologicamente correta".
"Não devemos proibir, devemos viabilizar tecnologias, e esse é meu objetivo", disse ele.
Fonte original: abrir