Espaço Cultural Unifor recebe a mostra Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras da Coleção Itaú Cultural
Obras do desenhista inglês Thomas Rowlandson também estarão presentes na mostra que fica em cartaz até o dia 1º de outubro no Espaço Cultural Unifor. (Foto: Iara Venanzi)
De 10 de agosto a 1º de outubro, a Universidade de Fortaleza (Unifor) abre ao público a exposição Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras da Coleção Itaú Cultural, no Espaço Cultural Unifor, mantido pela Fundação Edson Queiroz. Com curadoria de Marcos Moraes, a mostra mapeia cinco séculos da produção gráfica europeia, com um total de 148 das 451 imagens impressas que compõem este acervo. São apresentadas, de forma didática, as diferentes técnicas de gravuras dos séculos XV a XIX. Imagens Impressas já passou pelas cidades de Santos e Curitiba. Após a temporada em Fortaleza, segue para o Rio de Janeiro.
O curador observa que a imagem impressa acompanha a humanidade desde os seus primórdios, e podemos remontar essa trajetória às primeiras mãos marcadas, por meio de pigmentos, nas paredes de grutas e cavernas. De acordo com ele, as primeiras imagens impressas são xilogravuras produzidas no século XV, e, a partir desse período, aprimoram-se as técnicas: são incorporadas inovações e é desenvolvida a linguagem gráfica. Por esse caminho, no século XIX a gravura chega à autonomia. Para abordar esse meio de criação é preciso, portanto, delimitar um escopo.
“Trata-se de um recorte representativo, pela diversidade de técnicas, temas e destinações das gravuras. Esta seleção nos permite pensar na linguagem gráfica e em outros caminhos de leitura e interesse ao longo desse fascinante empreendimento que foi a produção de imagens impressas”, afirma o curador. A mostra propõe, assim, um percurso histórico pelas gravuras do Itaú Cultural, e se inscreve nas ações promovidas pelo instituto para garantir o acesso ao Acervo de Obras de Arte do Itaú Unibanco, que hoje conta com mais de 15 mil itens.
“A exposição é fruto de mais uma parceria entre a Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, e o Itaú Cultural, instituições que têm em comum a convergência entre arte, cultura e educação”, explica o vice-reitor de extensão da Unifor, professor Randal Pompeu. Para ele, a seleção de obras ali apresentada reúne gravuras de grande importância para a história da arte mundial e dialoga com livros da Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor, como, por exemplo, os que se referem ao arquiteto veneziano Piranesi.
Entre os destaques de Imagens Impressas estão obras do artista e caricaturista francês Honoré-Victorien Daumier, como Quelle heurese rencontre! – Les Amis (ca.1840), Mais pis que (s.d.), C’est bien parce (s.d.), Um ami est – Les Amis (ca. 1840), J’offrirai à monsieur (s.d.). Dele, há também o original de uma charge publicada no jornal Le Charivari, um dos principais veículos franceses no período. Chama a atenção, ainda, uma série de trabalhos de artistas mais conhecidos como pintores, como Edouard Manet, Eugène Delacroix, Francisco Goya, Henri de Toulouse-Lautrec e Rembrandt van Rijn. A gravura mais antiga em exibição na mostra é Cristo Carregando Cruz, feita em 1475 por Martin Schongauer, um dos primeiros gravuristas de que se tem notícia. Vale ressaltar as ilustrações realizadas por Gustave Doré, no século XIX, para o livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri.
Sobre Marcos Moraes
Doutor em Arquitetura e Urbanismo (2009), graduado em Direito (1979) e Artes Cênicas (1987), com especialização em Arte Educação e Museu, todos pela Universidade de São Paulo (Usp). Atualmente é coordenador dos cursos de bacharelado e licenciatura em Artes Visuais, bem como dos Programas Internacionais de Residência Artística (Cité des Arts e Residência Artística FAAP), ambos da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), onde também é docente (graduação e pós graduação) em História da Arte, Desenvolvimento de Projeto Integrado e é responsável pelos Seminários de Investigação Contemporânea, além de curador do Programa de exposição dos bacharelados em artes visuais, e das salas especiais com artistas convidados da Anual de Arte FAAP. Integra o Conselho de Aquisição do MAB FAAP e o Conselho Consultivo do MAM de São Paulo.
Sobre a Unifor (Fundação Edson Queiroz)
Como poucas instituições no Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, a Fundação Edson Queiroz construiu um amplo acervo de arte brasileira, sobretudo do século 20, com obras de artistas do porte de Lygia Clark, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, entre outros. A articulação entre a educação superior e as artes faz parte da essência da Fundação Edson Queiroz, mantenedora da Universidade de Fortaleza (Unifor). Neste espaço, a comunidade acadêmica convive em harmonia com as artes visuais, o teatro, a música e a dança, por meio da realização de exposições no Espaço Cultural Unifor, de espetáculos no Teatro Celina Queiroz e do apoio permanente a seus grupos de arte – Big Band, Camerata, Cia. de Dança, Coral, Grupo Mirante de Teatro, Orquestra Infantil de Sanfonas, Grupo Infanti
Fonte original: abrir