Confira entrevista exclusiva com o cientista Tarcísio Pequeno, Presidente da Funcap
O Cientista Tarcísio Pequeno herdou do pai a paixão pela ciência. Pioneiro no Ceará na área de computação, ele traçou uma trajetória acadêmica consistente, ajudando a criar cursos essenciais para a evolução da pesquisa tecnológica no estado. (Foto: Ares Soares/Unifor)
Uma paixão, uma vocação, um lido cujo desenrolar muda vidas, transforma realidades, desenvolve cidades e nações. A pesquisa científica é um dos pilares da atividade universitária, aliando a produção de conhecimento que, ao mesmo tempo contribui para o avanço da ciência e o desenvolvimento social. Por muitos anos desvalorizada, em detrimento de sua importância, a pesquisa brasileira foi alvo de grandes e importantes investimentos nos últimos 15 anos. A realidade de hoje, no entanto, vai de encontro ao que se projeta para um país das dimensões e importância do Brasil.
Apesar disso, há quem a viva integralmente e tenha orgulho de dizer: sou cientista. Nosso entrevistado é um desses apaixonados por fazer ciência, apesar das dificuldades. Presidente da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Tarcísio Pequeno tem interesse pela ciência desde a infância.
Para a entrevista exclusiva, Tarcísio recebeu a equipe da Revista Unifor em seu escritório, na sede da Funcap. Jeito descontraído, conversa fácil de uma mente que não para. Abordou questões inerentes ao fazer científico, desafios, incentivos, inovação, além de traçar um panorama da pesquisa realizada no Ceará.
O que é preciso para que alguém possa se tornar um pesquisador?
É preciso muita loucura (risos). Mas, falando sério, é preciso vocação, até porque é uma atividade que exige dedicação integral. Um pesquisador cientista não trabalha apenas 8 horas por dia, 5 dias por semana, mas o tempo todo. Ele está sempre pensando nos pro blemas ligados à sua atividade, portanto requer uma vocação. Dito isso, é importante também falar que é preciso que exista na sociedade uma rede que per mita duas coisas: captar essas vocações e também inspirar esse desejo. É preciso um estímulo desde cedo. Normalmente, essa escolha vai se dar na graduação e deve haver um caminho claro para queo aluno perceba essa possibilidade. Por exemplo, no Brasil, as instituições de apoio à pesquisa, como a Funcap, man- têm um programa muito forte de bolsas de iniciação científica oferecidas para o aluno durante o curso de graduação. Dessa forma, se o estudante já demonstra interesse, competência e talento, ele pode se candidatar e já vai poder compartilhar os laboratórios junto com um pesquisador que vai orientá-lo e ele começa a frequentaros ambientes de pesquisa. Apenas dessa maneira o aluno pode saber se isso é de fato o que ele deseja. Ou seja, é preciso que haja a vocação e o lado institucional para dar suporte.
O senhor mencionou os incentivos que permitem que aqueles que escolhem esta carreira possam nela permanecer. Como estão os investimentos atualmente no Brasil?
O incentivo à pesquisa nunca foi prioridade no Brasil e são poucas sociedades que têm a ciência como prioridade. São nações que estão no topo do mundo e têm investimentos estatais e privados pesados na economia do conhecimento. Inclusive, quem não faz parte desse clube vai ficando marginalizado. Contudo, o Brasil experimentou, por mais de uma década, apoio mais forte e continuado à ciência e, de fato, ela cresceu muito acima do crescimento da ciência internacional. Durantes os últimos anos, o Brasil foi o país em que a pesquisa científica mais cresceu. É claro que partimos de um patamar relativamente baixo comparado a outras nações, mas a pesquisa cresceu muito rapidamente até chegar no 13o lugar de produção científica do mundo. Mas a ciência já havia sofrido restrições no governo anterior, e sobretudo agora, no atual governo, sofreu um corte drástico de 50%.
Quais as consequências diretas dessa falta?
Se você corta o número de bolsas, você diminui o estímulo para a educação. A bolsa é um investimento pequeno no ponto de vista do Estado, mas torna possível um sistema muito maior, pois se formos examinar, manter a estrutura de uma universidade é muito caro, enquanto a bolsa para alunos, diante disso, é um investimento pequeno, mas que torna possível todo o investimento grande. Quando você paralisa o investimento por uma pequena economia é como se você tivesse um caminhão potente e não tivesse dinheiro para colocar gasolina nele. A Funcap consegue manter um certo nível de bolsas, mas já é um pouco aquém do necessário. Além disso, é definido que o professor, dentro das universidades, deva fazer ensino, pesquisa e extensão, mas as universidades, que são aparelhos caros, geralmente só dão meios para que o professor promova o ensino. No entanto, há a cobrança para que ele faça pesquisa e inovação. Para isso, o professor precisa de equipe e laboratórios. Daí é que entra o sistema de financiamento da ciência e tecnologia do País – o CNPq, a Capes e a FINEP no âmbito federal, e no estadual, a Funcap, por exemplo. Porta
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