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Casos de intoxicação por metanol em setembro em SP já equivalem à metade da média do ano do Brasil, diz Padilha

30/09/2025 15:14 G1 - Política

Padilha sobre intoxicação por bebidas: 'Situação anormal'
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (30), que o número de casos de intoxicação por metanol em setembro, em São Paulo, é a metade da média anual do Brasil.
"O país costuma ter 20 casos por ano de intoxicação por metanol. A partir de setembro, foi quase metade das notificações que costumam ter no ano e concentrado apenas em São Paulo, o que chama atenção", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acrescentando que se trata de uma situação "anormal".
No estado de São Paulo, há 22 casos: 7 confirmados de intoxicação; 15 casos suspeitos em investigação; 4 casos foram descartados. Entre esses 22 casos, há uma morte confirmada por intoxicação por metanol com bebida adulterada e quatro mortes sob investigação.
"Normalmente os casos de intoxicação por metanol no Brasil estão associados a pessoas em situação de rua (que adquirem como combustível) ou a suicídios. Estamos em uma situação anormal, diferente do que temos na série histórica", completou.
Ele explicou que o Ministério da Saúde vai publicar uma nota técnica definindo o que é um caso suspeito ou não e esclarecendo os sintomas para orientar os profissionais de saúde sobre como identificar e agir nessas situações.
Segundo ele, a notificação de caso suspeito não precisa esperar o fechamento do diagnóstico.
No total, o país tem 32 centros de informação e assistência toxicológica do SUS em todos os estados, onde a população pode usar esses serviços e buscar ajuda.
Lewandowski: PF vai abrir investigação sobre casos de intoxicação por metanol
Investigação
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou nesta terça-feira (30) que a Polícia Federal abriu uma investigação para apurar a origem do metanol usado para batizar bebidas alcoólicas no estado de São Paulo. Segundo ele, é possível que essa rede de distribuição da substância atue também em outros estados.
O metanol é altamente tóxico e pode levar à morte. No estado de São Paulo, seis casos de intoxicação foram confirmados, incluindo três mortes, e dez estão em investigação. Um outro foi descartado. De acordo com o Ministério da Saúde, não há indícios de novos casos. A PF disse que não foi identificada uma marca ou importação específica.
👉 Como ocorre o batismo das bebidas: Falsificadores pegam as garrafas de marcas famosas de bebidas alcoólicas, como gin e vodca, e adulteram o conteúdo, acrescentando metanol. Em seguida, o produto é comercializado. Ao ingerir a bebida contaminada, as pessoas podem levar várias horas para apresentar os primeiros sinais de intoxicação, que incluem cólica muito forte e perda de visão.
Na segunda-feira, determinamos ao dr. Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, que abrisse um inquérito policial para verificar a procedência dessa droga e a rede possível de distribuição que, ao tudo indica, transcende o limite de um único estado. Tudo indica que há distribuição para além do estado de São Paulo.
Segundo ele, o "número elevado e inusitado" de intoxicações por metanol em São Paulo chamou a atenção porque foge do padrão, pois, normalmente, a ingestão da substância ocorre por pessoas em situações de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, um sistema do governo federal que recebe informações de todo o país quando há intoxicação por causas desconhecidas emitiu um alerta nacional.
No sábado (27), a Secretaria de Defesa do Consumidor divulgou uma nota técnica para todos os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para tomarem cuidado com bebidas que pudessem estar contaminadas - atentando, por exemplo, para rótulo ou embalagem com aspecto diferente.
A fiscalização já começou: os estabelecimentos onde se identificou que havia bebida contaminada vão receber notificação do Ministério da Justiça para descobrir os fornecedores, quem manipulou as bebidas e que tipo de bebida as vítimas consumiram.
'Tudo indica que há distribuição para além o estado de SP', diz Lewandowski sobre contaminação de bebidas por metanol
PCC investigado
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não descartou a possibilidade de ligação do crime organizado com a adulteração de bebidas alcóolicas com metanol, indo na contramão do secretário da Segurança Pública de SP, Guilherme Derrite (PL).
Rodrigues explicou que investigações recentes sobre a cadeia de combustível mostraram que há um esquema que passa pela importação de metanol pelo Paranaguá e que, por isso, há a necessidade de entrar nesse caso. "A investigação dirá se há conexão com o crime organizado", disse o diretor da PF.
Intoxicação por metanol
Abaixo, veja o que se sabe e o que falta saber sobre os casos.
Quantos casos foram confirmados e estão em investigação?
Foram registrados óbitos?
Como as intoxicações aconteceram?
O que é metanol?
Quais são os riscos à saúde?
Qual é a origem do metanol usado nas adulterações?
Qual é a recomendação do estado para bares e comércios?
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