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Bebê é diagnosticado com cardiopatia grave ainda na barriga em RO e precisará de cirurgia ao nascer

01/10/2025 11:01 G1 RO

Bebê com cardiopatia em Rondônia
Ainda no útero, o pequeno Matias foi diagnosticado com cardiopatia congênita complexa (CCC), uma condição grave que exige tratamento especializado logo após o nascimento. Depois que nascer, daqui a alguns meses, o bebê vai direto para a UTI e passará por uma cirurgia nos primeiros dias de vida.
🔎 O que é cardiopatia congênita complexa (CCC)? É um conjunto de alterações graves ou múltiplas na estrutura do coração, presentes desde o nascimento. Por sua complexidade, exige acompanhamento médico especializado desde os primeiros dias de vida. Quando identificada ainda na gestação, aumenta significativamente as chances de sobrevivência e qualidade de vida do bebê.
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Matias é filho de Helen Kassia Pires de Souza e Kevin Daniel, moradores de Ariquemes (RO), que sempre sonharam em formar uma família. Em entrevista ao g1, o casal contou que a notícia da gravidez foi uma surpresa e uma alegria.
“Quando ela contou, eu fiquei muito feliz. A gente agradeceu muito a Deus, me emocionei bastante. E aí a gente começou a viver o nosso sonho”, conta Kevin.
Durante o pré-natal, exames de rotina identificaram alterações no coração do bebê, e o diagnóstico de cardiopatia congênita complexa foi confirmado na 33ª semana de gestação.
“A médica falou que esse bebê não podia nascer aqui, em Rondônia, de forma alguma, porque a complexidade é muito grande”, relata Helen.
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Após avaliação em Porto Velho, Helen foi orientada a solicitar tratamento fora do estado, em razão da complexidade do caso. O hospital de referência indicado foi o Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, especializado em casos cardíacos.
O casal viajou para São Paulo em 10 de setembro, onde Helen passou por exames que atestaram a gravidez de risco.
“Ela [médica do HCor] deu um bom prognóstico, umas boas esperanças para a gente. É claro que ficamos preocupados, porque o bebê vai nascer e ir direto para a UTI, mas ela deu boas esperanças”, desabafa Helen.
Kevin e Helen com Matias no 'forno'
Reprodução/acervo pessoal
Início de um tratamento especializado
A cardiologista pediátrica e fetal Simone Fontes Pedra, coordenadora da unidade fetal do HCor e do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), acompanha o caso de Matias e explicou ao a condição do bebê, os procedimentos necessários e a importância do diagnóstico precoce.
Matias tem um buraco entre os ventrículos do coração, que faz o sangue circular de forma errada. Além disso, a principal artéria do corpo, a aorta, está estreita, dificultando o envio de sangue para o organismo.
“Esse bebezinho tem uma grande CIV [buraco entre os ventrículos] e também um estreitamento da aorta. Isso impede que o ventrículo esquerdo bombeie o sangue de forma adequada”, explica a médica.
Segundo a médica, os bebês se desenvolvem bem ainda no útero, mas ao nascer precisam ser levados diretamente para a UTI, onde iniciam a primeira fase do tratamento. No caso de Matias, a previsão é que ele passe por uma cirurgia nos primeiros dias de vida, chamada procedimento híbrido, que une o trabalho do cirurgião cardíaco e do intervencionista pediátrico.
Como é realizada a cirurgia?
O procedimento é feito com o coração batendo, sem necessidade de pará-lo. O objetivo é manter a circulação semelhante por alguns meses, como acontecia ainda dentro do útero. Durante o procedimento híbrido, os médicos fazem duas coisas importantes para ajudar o coração do bebê a funcionar melhor:
Bandagem das artérias pulmonares: eles colocam uma espécie de faixa ao redor das artérias que levam sangue aos pulmões. Isso serve para diminuir a quantidade de sangue que vai para lá, evitando sobrecarga e ajudando a equilibrar a circulação.
Manutenção do canal arterial: esse canal é uma passagem que existe naturalmente no bebê dentro da barriga da mãe, mas que costuma se fechar depois do nascimento. No caso de Matias, ele precisa continuar aberto para ajudar na circulação. Para isso, os médicos colocam um pequeno tubo metálico (stent) dentro do canal. Assim, ele fica aberto sem precisar de remédios.
Essa primeira cirurgia serve como preparação para uma operação maior, que deve acontecer quando o bebê tiver cerca de um ano. Nessa etapa, os médicos vão reconstruir partes do coração para que ele funcione de forma mais próxima do normal. Mesmo com os procedimentos, Matias vai precisar de acompanhamento médico por toda a vida.
“O objetivo é que possam brincar, estudar e ter uma vida o mais próxima possível da normalidade, com restrições apenas em atividades físicas competitivas”, explica a médica.
Importância do pré-natal
De acordo com a pediatra Simone Fontes Pedra, o diagnóstico da cardiopatia no bebê de Helen foi considerado

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