Logo
Tudo que você precisa saber sobre as eleições em um só lugar

'Atrasa os planos da vida da gente': demora de três anos em construção de condomínio de Canoas vira batalha na justiça

04/10/2025 08:01 G1 RS

Famílias cobram entrega de condomínio em Canoas
Quando foi lançado, em 2017, o empreendimento Mirantes do Parque, em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, parecia um grande negócio. A maquete previa 500 unidades, estrutura completa e duas fases de entrega: a primeira prevista para 2021 e a segunda para 2022.
Mas, em outubro de 2025, o cenário é bem diferente. No terreno onde deveria estar erguido o condomínio, em área nobre, no bairro Marechal Rondon, nada foi construído. O atraso já passa de três anos e virou batalha na Justiça. O caso é investigado pela Polícia Civil.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
Entre os compradores está a engenheira de segurança de trabalho Angélica Alves, de 35 anos, que investiu todas as economias no que seria o primeiro imóvel com o namorado:
“É muito triste, porque tu coloca todo teu dinheiro naquilo e nada saiu do papel, percebe que não vai acontecer da maneira que planejou. Atrasa os planos da vida da gente. A questão de ser mãe, por exemplo, acabei protelando em função desse cenário”, lamenta.
As famílias formaram um grupo que atua junto aos órgãos de controle, chamada Associação dos Compradores do Mirantes do Parque (Acampar). Eles tentaram negociar com a construtora Nexgroup, mas não houve acordo.
O movimento, segundo os líderes, tem como objetivo garantir tanto a retomada da construção ou a devolução dos valores àqueles que optarem pelo distrato, quando todas as partes envolvidas num contrato concordam em extinguir o acordo previamente celebrado.
Segundo o advogado associação, Alexandre Bainy, foram feitos registros em cartório, ações judiciais e denúncias em órgãos de defesa do consumidor. O Procon de Canoas confirmou ao g1 que já recebeu dezenas de queixas sobre o empreendimento.
Membro da diretoria e uma das fundadoras do grupo, Leislie Malmann pede ajuda às autoridades:
"O que a gente precisa é que o Ministério Público ajude agora pra que a gente consiga aprofundar as investigações e buscar os nossos direitos pela via judicial", diz Leislie.
A Acampar ainda diz que os contratos tinham cláusula de patrimônio de afetação, ou seja, um instrumento que, em teoria, deveria oferecer segurança aos consumidores, garantindo que os recursos destinados à obra fossem devidamente protegidos. Contudo, revelou-se ineficaz: não houve qualquer progresso na construção, tampouco saldo disponível na conta vinculada ao empreendimento.
Projeção do empreendimento Mirantes do Parque, em Canoas
Reprodução/ Redes Sociais
O que dizem as empresas
Procurada, a Nexgroup, por meio da Capa Incorporadora, afirmou que todas as responsabilidades sobre o Mirantes do Parque foram transferidas para o Grupo BFabbriani, após aprovação em assembleia de compradores. A empresa diz ter entregue uma segunda área de terras de alto valor, além de repactuar cerca de 130 contratos. A Capa nega qualquer desvio de recursos e afirma estar à disposição das autoridades.
Já o Grupo BFabbriani declarou que assumiu compromisso público para concluir as obras, agora sob o nome Summerville Club Residence. A empresa alega que não recebeu os valores pagos à antiga incorporadora, mas aceita cartas de crédito para viabilizar novos contratos. Segundo o grupo, ações judiciais e bloqueios têm atrasado a retomada da construção, e há tentativa de buscar apoio das autoridades para avançar no projeto.
Investigações
O Ministério Público conduz um inquérito para investigar o caso e busca medidas que possam reparar os consumidores prejudicados. Uma audiência para buscar uma conciliação entre os compradores e a nova empresa foi realizada em 19 de setembro.
O MP entende que houve "avanço nos diálogos", segundo a ata da audiência, ao qual o g1 teve acesso. As duas empresas pediram 60 dias para apresentar estudos técnicos e uma proposta final de acordo, Uma nova reunião foi marcada para 21 de novembro.
A delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia, afirma que aguarda o resultado da tentativa de acordo antes de prosseguir com a investigação.
Incorporadora é alvo de operação em SC
Enquanto no Rio Grande do Sul os moradores tentam seus direitos na Justiça, em Santa Catarina uma operação do Ministério Público, no dia 3 de setembro, mirou um suposto esquema que teria a Incorporadora B Fabbriani diretamente envolvida. Segundo a apuração, o grupo econômico é suspeito de organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. A fraude investigada é de R$ 90 milhões.
O advogado do grupo B Fabbriani disse que sobre a operação, chamada Black Flow, "não procedem as alegações de que houve desvio em montante superior a R$ 90 milhões".
Confira as manifestações na íntegra
Grupo B Fabbriani:
"Relativamente ao Condomínio Mirantes do Parque, a BFABBRIANI esclarece que a sociedade de propósito específico BF SUMMERVILLE firmou, em julho de 2023, contrato de promessa de compra e venda do imóvel objeto do empreendimento com a CAPA INCOPORADORA, proprietária do imóvel. A negociação foi feita de forma tra

Fonte original: abrir